A internet sacode a poeira dos velhos museus e apresenta uma
nova concepção de museologia. Nas home-pages, o fetiche dos objetos
antigos e das obras de arte passa a ser utilizado como pretexto
para produção de conhecimento. Sites educativos não se contentam
em mostrar a bengala usada por Ruy Barbosa na II Conferência de
Paz realizada em Haia, por exemplo, e falam sobre o momento histórico
em que aconteceu o encontro na Holanda. A aplicação das novas
tecnologias na área de museologia foi o principal tema do IX Seminário
de Integração do Curso de Museologia e Museus da cidade do Salvador,
que encerra hoje sua programação, no Museu Casa de Ruy Barbosa.
Até pouco tempo, a disseminação de home-pages de instituições
como o Museu do Louvre, de Paris, fez alguns museólogos temerem
a possibilidade de passarem, eles mesmos, a ser uma coisa do passado.
Parecia, neste primeiro momento, que não seria mais necessário
sair de casa para conhecer documentos e objetos históricos. "Hoje,
no entanto, acreditamos que as novas tecnologias podem ser utilizadas
como ferramentas para atrair ainda mais pessoas aos museus", explica
Marcelo Cunha, coordenador do seminário e professor do curso de
museologia da Ufba, um dos dois únicos existentes no país (o outro
é da UniRio). "As pessoas não vão deixar de ir aos museus. O desejo
de ver os objetos com os próprios olhos e de tocá-los não vai
acabar. Por isso, sabendo usar a internet, podemos expandir ainda
mais a concepção do trabalho do museólogo", explica o especialista.
O seminário propõe a instrumentalização desse profissional, capacitando-o
para trabalhar com catálogos informatizados, CD-ROMs e com o tratamento
e difusão da informação. "Antigamente, o museólogo cuidava dos
acervo, limpava os objetos e os guardava nas vitrines. Era a época
da preservação contemplativa", conta Marcelo. Como contraponto,
Rosana Nascimento, chefe do departamento de Museologia da Ufba,
cita o exemplo do Museu Casa de Ruy Barbosa, que tem a museóloga
Veruska Uchoa à frente de um site vencedor de dois prêmios de
qualidade.
"Este site já está sendo usado por escolas de Salvador como complemento
e ilustração do conteúdo didático, além de receber muitas visitas
de pesquisadores de outros estados, interessados em saber mais
sobre a vida e a obra de Ruy Barbosa. Apesar de ser um dos mais
importantes homens públicos do Brasil, muita gente nem sabe que
ele é baiano", finaliza Rosana. O Museu Casa de Ruy Barbosa é
dirigido por Antônio de Pádua Carneiro e administrado pela Faculdade
Ruy Barbosa. O site é www.abicasaderuy.frb.br.