A Sra. Maria Luíza Ruy Barbosa Leite, insinuou-se contra o descaso
dos cariocas, para com as obras e a memória do seu avô Ruy Barbosa,
O desapreço não é só no Rio de Janeiro, pois, até certos jornais
e revistas de nossa Salvador, inclusive a OAB, no seu " Informativo"
de dezembro passado, sequer se preocupam com a grafia correta
do nome de Ruy, que seria e será uma das mais importantes homenagens
ao ilustre baiano: escrever o seu nome de forma correta, ou seja:
Ruy com "y".
Ruy fora registrado com "y", assinava com "y" , bastando folhear
o livro "Rui e Nabuco" ( escrito com "i") está o "fac-símile"
da capa do livro "A Imaculada Conceição" edição de 1874, que pertenceu
a Ruy, e ele apôs a sua assinatura de próprio punho, grafada com
"y", para onde remete.
Outras obras em homenagem ao ilustre mestre como "Abolicionismo"
, "Oração aos Moços", até o "Novo Dicionário Aurélio" e a própria
Fundação Casa de Rui Barbosa órgão do Ministério da Cultura, grafam
com "i" , o que considero um ultraje. A revista VEJA usa e abusa
da grafia com "i" e tenta justificar fazê-lo, justamente em razão
da própria Fundação Casa de Rui Barbosa escrever com "i", em vez
de pesquisar fazer uma matéria sobre tão brilhante assunto.
Insurgi-me junto ao Ministério da Cultura que enviou cópia à
Fundação Casa de Rui Barbosa, com sede no Rio de Janeiro.
Dias depois recebi carta daquela Casa dizendo que o professor
Lacombe havia assim decidido, anexando cópia reprográfica de páginas
do livro de Homero Sena, "Rui e o Imaginário Popular". Rio de
Janeiro, editado pela Fundação em 1994.
Apresentei réplica, dizendo que não é por que o prof. Américo
Jacobina Lacombe, ilustre membro da Academia de Letras que presidiu
a "Casa de Rui Barbosa" por mais de 50 anos, deseje impor a sua
opinião ( "data venia" errada), quanto a grafia do nome de Ruy
Barbosa, tenhamos que aceitar, mesmo com todo respeito que merece,
principalmente quando fere uma lei do país, em vigor, com o argumento
de que "não é mais assinatura".
Mais adiante demonstra seu desprezo pelo "H" da Bahia e o "y"
de Ruy, na sua carta de 30-10-80 ao seu primo, (fls. 22 do livro
de Homero Sena, "Rui e o Imaginário Popular" que me enviou).
Ninguém o está chamando de leviano ao grafar com "i". Simplesmente,
qualquer ser humano pode errar ou se enganar, como Ruy errou e
logo consertou, quando soube que seu sobrenome Barbosa era escrito
com "s" e não com "z" .
Lacombe como presidente vitalício da "Casa de Rui", talvez por
orgulho, e por ter sido um seu primo quem lhe interpelou, bateu
pé firme que deveria ser escrito com "i" e desviou do caminho
correto em vez de elucidar o fato.
O progresso está no fato dos alunos suplantarem os mestres.
Se há mais de 40 anos, alguém cismou de, oficialmente, escrever
Ruy com "i" e os demais se acomodaram, tudo só leva a crer que
fora em razão de não desejar, naquele momento, polemizar com o
ilustre mestre, já que considerava haver outras prioridades para
a época.
Destarte, o erro não deve continuar.
Ninguém falou ou se preocupou com a lei dos Registros Públicos?
Há quem alegue que o Formulário Ortográfico em 1943, mandou substituir
o "w" por "u" ou "v", o "y" por "i" , o "k" por "qu" ou "c".
Quem assim advoga, não atina que a lei não determinou que os
Cartório de Registro de Pessoas Civis retificassem os nomes daqueles
que foram registrados com "y" , ou "w", tenha que grafá-lo "i"
ou "u" e daquela data em diante, todos deveriam mudar a grafia
dos seus nomes.
Achar que deve escrever o nome de Ruy Barbosa com "I", tentando
justificar dizendo ser abreviatura de Rodrigo, sem atentar que
em sua certidão de nascimento consta "y", tendo o mesmo, em toda
a sua vida, grafado com "y", não justifica.
Fora em 1929 que Mário Barreto expressou aquele pensamento e
correu em defesa do seu amigo Lacombe, assim como o Dr. Júlio
Dias da Costa, engrossou as fileiras no mesmo equívoco.
Naquele livro, não fora exposta opiniões dos adversos. Quando
citou que J. A. Soares de Souza (trocou "z" por "s") que assim
assina, é justamente porque assim fora registrado. Se contradisse.
Disse-lhe que os nomes próprios devem subordinar-se aos mesmos
preceitos que regem a escrita dos nomes comuns, mas, quem o tem
registrado, tem e deve continuar mantendo-o. E' a lei.
O nobre atual Presidente Mário Brockmann Machado, deve "adequar"
escrevendo BRÓQUIMEN?.
Sabia-se e sabe-se como Ruy assinava, logo, nada como respeitar
como o mesmo o fazia.
Basta ver escrito Ruy Barbosa com "y", e logo se sabe de quem
se está falando...
Ruy com "y" é a sua característica como é a caricatura que a
"Casa de Rui Barbosa" usa para lhe homenagear. Grafar "Ruy Barbosa"
é um dever.
Num país de pouca cultura, ninguém ousou uma polêmica contra o
mestre Lacombe que disse não se apegar a tradição, sem qualquer
fundamento, mas, Ruy com "y", tem fundamento até como exceção.
Ele assim assinava. Em todos os cartazes em que expõem seu pensamento,
lá está a assinatura com "y", logo...
De tudo que fora dito, convoco a sociedade, os órgãos de imprensa
para que se faça uma pressão a fim de que a própria Casa de Ruy,
que recebe dinheiro público, determine um estudo aprimorado, deixando
claro não desejar magoar o ilustre acadêmico Lacombe e se resolva,
de uma vez por todas, a grafia do nome do grande estadista, fazendo
publicar nos diversos meios de comunicação do país, para conhecimento
de toda a sociedade.
Assim, acabaríamos com a pecha de que somos país sem cultura e
que "deixa prá lá" certas coisas por ser "sem importância" ou
poucas pessoas se incomodam. "Data venia" tem importância, sim!.
Não podemos ser um povo sem tradição, para não correr o risco
de caminhar para ser um povo sem memória.
Dias depois, para minha surpresa, recebi a resposta do ilustre
presidente da "Casa de Rui Barbosa" dizendo haver pedido um parecer
do chefe de pesquisa de Filologia - Adriano Kury- externando não
desejar polêmica.
Juntou o parecer, aparentando não estar preocupado com a inquirição,
simplesmente afirmou "... se aplica o disposto no art. 39".
Destarte, grafou o seu nome com "y" e não "Cure". Tal artigo 39
só vale para RuY ?
A Revista ISTO É, em outubro de 1999, publicou um encarte sobre
alguns mais famosos juristas do Brasil. Grafou OCTÁVIO (não Otávio)
GOUVÊA DE BULHÕES, Clóvis (não CLOVES) Beviláqua, porém, grafou
o mestre Ruy com "ï", vendo-se, claramente que seguiu os ditames
da "Casa de Rui..."
Uma outra polêmica é chamá-lo de O "Águia de Haia" ou A "Águia
de Haia" Certos historiadores acham que no masculino, estaria
dizendo ser o mesmo um astuto predador (pejorativo) e no feminino
um verdadeiro senhor da situação. No meu entendimento, O "Águia
de Haia" denota o homem que dominou a situação com altivez, da
mesma forma que os americanos do norte têm na águia a sua identidade.
Será que haverá necessidade de uma ação judicial para que a "Casa
de Rui Barbosa" passe a escrever o nome de RuY corretamente?
Esperando ter dado a minha colaboração, pedindo que se publique
onde for necessário, a fim de que se preserve, mais ainda, a memória
do nosso jurista maior.
Com votos de estima e consideração, desejando Feliz Milênio Novo,
subscreve-se.