Museu: Ruy Barbosa resgatado
O Museu Casa de Ruy Barbosa volta à cena baiana a partir desta segunda-feira,
funcionando no Ninho da Águia (Centro Histórico), casa onde o jurista nasceu

Devidamente recuperado, o Ninho da Águia, casa onde o jurista Ruy Barbosa (1849/1923) nasceu, volta a abrigar o museu que leva o nome deste renomado pensador baiano. Localizado na rua homônima, 12-A, o espaço será entregue ao público a partir desta segunda-feira, data do 76º aniversário de morte do homenageado –, guardando um acervo de 250 peças, entre livros, mobiliário e objetos de uso pessoal. “Não sou especialista em Ruy Barbosa, sou um educador que acredita no pensamento deste homem, que não deve ser desperdiçado. Mas não queremos o museu apenas como um depósito das coisas de Ruy Barbosa”, coloca o novo diretor, Antônio Pádua Carneiro.

À frente da Faculdade Ruy Barbosa, ele fala com entusiasmo desta volta à cena, depois de uma tumultuada trajetória, que envolveu o roubo de algumas peças do acervo e provocou o fechamento do museu no início do ano passado. Trabalhando com uma equipe de 10 pessoas, o diretor da entidade lamenta o esquecimento a que estão submetidas alguns vultos brasileiros, especialmente Ruy Barbosa. “Em qualquer lugar se tem uma referência deste baiano. No mínimo, associa-se o nome dele à inteligência”, diz.

Ciente disso, Antônio Carneiro coloca como meta principal de sua gestão a articulação de um museu itinerante, levando a história de Ruy Barbosa, através de peças e audiovisuais, até escolas, associações de bairros e mesmo shoppings. “Vamos tentar mobilizar o público jovem”, argumenta. Há ainda, como parte do projeto, outras iniciativas educacionais junto às crianças e mães do Centro Histórico. Uma das premissas é tornar o museu numa entidade auto-sustentável.


O Museu Casa de Ruy Barbosa estará aberto à visitação de segunda a sexta-feira, das 10 às 16 horas, e aos sábados, das 8 às 12 horas. A casa é uma edificação em estilo colonial, provavelmente datada do
século XVIII. O nome da rua onde está localizado o Ninho da Águia foi um presente de aniversário a Ruy Barbosa, no ano de 1903, quando o jurista ocupava o cargo de ministro das Finanças. O então Conselho Municipal da Cidade do Salvador decidiu, à época, trocar o nome de Rua dos Capitães para Rua Ruy Barbosa.

Em 1917, a casa foi a leilão, sendo arrematada por 15$200 (quinze contos e duzentos mil réis) pelo jornalista Ernesto Simões Filho, fundador de A TARDE. Ruy Barbosa elogiou a atitude, declarando: “Não encontro palavras para agradecer a extrema e carinhosa bondade de A TARDE em adquirir a casa de meu nascimento e consagrá-la à criação de uma escola popular. Bendita lembrança sua que me comove e cativa”.


Mas a criação do estabelecimento de ensino não chegou a ser efetivada pela prefeitura e a edificação acabou entregue ao abandono. Em 1935, a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) reinvindicou e obteve a posse do terreno e, em parceria com o estado, iniciou a recuperação do prédio. Para esta obra, foi utilizada uma fotografia da revista Bahia Ilustrada, ampliada em carvão pelo pintor Presciliano Silva. A reestruturação interna ficou a cargo do arquiteto Manuel Viana Bandeira, que suprimiu alguns cômodos, possibilitando a instalação do museu, em 1949.