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Na próxima
segunda-feira, a comunidade baiana estará comemorando os
76 anos de morte do jurista Ruy Barbosa (1849-1923), uma das figuras
mais ilustres da história política brasileira. Baiano
de nascimento, ele morou até os 16 anos numa casa situada
na rua que hoje leva o seu nome, no centro da cidade. Ali funciona
o Museu Casa de Ruy Barbosa, que ficou fechado desde março
do ano passado e está sendo completamente reformado e seu
acervo restaurado para festa. As comemorações não
param por aí, uma vez que este ano comemora-se, também,
os 150 anos do nascimento do "Águia de Haia", título
que Ruy Barbosa recebe por sua destacada atuação na
conferência mundial de paz, realizada em 1907, no Tribunal
de Haia, na Holanda.
"O objetivo do projeto
de reabertura do museu, que surgiu através do convênio
firmado entre a Faculdade Ruy Barbosa e a Associação
Baiana de Imprensa (ABI), tem como finalidade maior devolver este
espaço a comunidade e a cultura baiana", explica o chefe
de gabinete da Faculdade Ruy Barbosa, Adriano Lima Barbosa Miranda.
Ele conta que, há alguns anos, o local chegou a ser invadido
por ladrões que roubaram alguns objetos de uso pessoal de
Ruy Barbosa. Felizmente, a maioria desses objetos foram recuperados
e ficarão em exibição permanente. Os famosos
óculos de aro redondo, a bengala, a caneta, as abotoaduras
e até um par de luvas são alguns dos objetos roubados
que foram recuperados e voltaram a compor o acervo do museu.
O projeto de reabertura
do Museu Ruy Barbosa está sendo conduzido sob a consultoria
da museóloga Rosana Andrade Nascimento, professora da UFBA.
Ela conta que a casa que abriga hoje o acervo é uma reconstituição
feita em 1935 no imóvel original, que estava completamente
em ruínas. "A reconstrução foi feita a
partir de um desenho de Prisciliano Silva, feito em carvão,
que reproduziu a casa baseando-se numa foto antiga publicada na
revista Bahia Ilustrada", conta Rosana. Ela frisa que para
a reinauguração do museu foi feita uma nova programação
visual, que ficou a cargo da empresa Pauppuro Design e Arte, que
procurou combinar tradição e modernidade, para dar
um ar mais alegre ao casarão. Já o projeto de exposições
foi criado pelo professor Yves Quaglia.
Rosana explica que a exposição
de reabertura será dividida em módulos, distribuídos
pelos diferentes cômodos da casa. O primeiro módulo
mostra a história do imóvel. "As pessoas vão
poder conhecer a relação da casa com Ruy Barbosa",
conta a museóloga. Um módulo será dedicado
aos parentes, que terá em exposição o brasão
da família de Ruy Barbosa, assim como os quadros com os retratos
pintados dos familiares do jurista, que estão em fase final
de restauração. Nesse módulo, também
estarão móveis como as cadeiras de balanço
e de descanso do advogado.
Trajetória
de jornalista e político
Uma parte
da exposição de reabertura do Museu Casa de Ruy Barbosa
destaca a carreira do homem público, dividida em suas atuações
como jurista, jornalista e político. "Na parte que mostra
a carreira política, teremos informações sobre
a sua participação na Conferência mundial da
paz, em 15 de junho de 1907", adianta a museóloga Rosana
Nascimento. Manuscritos, cartas apaixonadas para a esposa e documentos
também fazem parte do acervo que conta a história
de Ruy Barbosa.
Um módulo especial,
denominado Representações, mostrará bustos
e caricaturas de Ruy Barbosa. "Ele foi um dos políticos mais
caricaturados do país", frisa Rosana, ressaltando que esta
parte da exposição trará explicações
sobre as caricaturas, falando a respeito do contexto histórico
em que foram criadas, para que a população possa entender
as diferentes representações. O Museu Casa de Ruy
Barbosa terá ainda uma lojinha, onde serão vendidos
produtos relacionados ao jurista, como mouse pads, camisas, bustos
em miniatura e bonecos do jurista descansando na cadeira de balanço.
Antônio Pádua
Carneiro, enfatiza que uma das metas da instituição
é desenvolver projetos na área social, que envolvam
a comunidade. "Pretendemos desenvolver ações museológicas,
culturais e educativas que possam estabelecer um processo que contribua
com a produção de conhecimento e a construção
da cidadania", afirma. Apesar de ser um dos mais ilustres baianos,
muitas pessoas desconhecem a trajetória política de
Ruy Barbosa.
Falecido no Rio de Janeiro,
em 1º de março de 1923, os restos mortais de Ruy
Barbosa foram trazidos para Salvador anos depois e colocados no
memorial dedicado a ele. A obra foi criada pelo artista plástico
Mário Cravo Jr. e colocada no Fórum Rui Barbosa, no
Campo da Pólvora, onde permanece até hoje.
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